O Centro de Convenções Carajás, na Nova Marabá, sediou nesta quinta-feira, 21, o IV Fórum Agrário da Sociobiodiversidade. O evento reuniu produtores, especialistas e autoridades de 23 municípios das regiões sul e sudeste do Pará para debater soluções para o campo e expor a produção regional.
Promovido pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), o encontro contou com o apoio direto da Prefeitura de Marabá, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri), consolidando-se como um espaço estratégico para o fortalecimento da economia rural e da sustentabilidade. A Secretaria de Meio Ambiente (Semma) também esteve presente com exposição sobre o Parque Ambiental João Anselmo.
A abertura do fórum destacou a importância da união entre as esferas públicas e os trabalhadores rurais para garantir a segurança alimentar da população.
O prefeito de Marabá, Toni Cunha, ressaltou o papel dos agricultores na economia local e reafirmou o compromisso da gestão municipal com o setor.
“É o quarto fórum agrário realizado em Marabá pelo Ministério Público, com o apoio da prefeitura. Vimos produtores de dezenas de cidades da região, e são essas pessoas que colocam a comida na nossa mesa. É muito importante esse congraçamento, essa exposição e confraternização, mas, acima de tudo, o debate em torno das pautas importantes para os pequenos, médios e grandes produtores. Queremos fomentar a economia e a renda, fazendo essas pessoas progredirem cada vez mais”.
A Seagri atuou diretamente na viabilização do evento, garantindo a logística e o suporte necessário para que as famílias reassentadas pudessem apresentar suas mercadorias na feira do pátio interno. O secretário de Agricultura, Marcone Leite, adiantou que a pasta planeja expandir as ações de apoio por meio de um novo ordenamento produtivo para o município.
“A Secretaria de Agricultura presta apoio na infraestrutura, trazendo os produtores para apresentar e vender seus produtos, além de apoiá-los na estrutura de comercialização. Isso divulga o trabalho que eles já desenvolvem há muito tempo nos assentamentos. A partir daqui, queremos ampliar a participação da Seagri. Visitamos vários assentamentos e estamos trabalhando em um zoneamento da cidade para priorizar a produção de determinados produtos em locais específicos. Isso vai criar escala e facilitar a venda. Esse é o nosso trabalho principal”.
Coordenado pela 3ª Região Agrária do Ministério Público, o fórum combinou palestras técnicas com uma feira de sociobiodiversidade aberta ao público.
A promotora de Justiça Alexsandra Mardegan celebrou a adesão em massa e o impacto prático do incentivo institucional aos produtores.
“Estamos aqui hoje com 23 municípios da região sul e sudeste do Pará. Ver esse povo nessa participação expressiva realmente nos deixa muito alegres. Tivemos palestras onde foram discutidas soluções para problemas que os produtores enfrentam e, logo mais, teremos a escuta deles. Também temos essa feira maravilhosa com comidas, verduras, frutas, legumes, artesanato, doces, peixes e farinha. Eventos como este nos dão a certeza de que, quando o produtor é apoiado, ele realmente consegue produzir”.
Para quem vive da terra, o fórum representou uma vitrine essencial para o escoamento de produtos cultivados de forma agroecológica. Moradoras do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Porto Seguro destacaram o impacto do suporte de transporte oferecido pelo município.
“A Seagri nos ajuda nos transportes aos sábados, quartas-feiras e em eventos como o de hoje. Eu vendo licor, banana chips, abóbora, fava, feijão, quiabo, cupuaçu, limão e abio. Acho importante esse evento para divulgar nosso trabalho e mostrar como é a produção. Isso é muito gratificante, porque moramos em um projeto de desenvolvimento sustentável e lá não usamos agrotóxico. Mostramos para a sociedade que tem como comer bem e sem veneno. Isso é um mérito nosso”.
A produtora rural Iraci de Sousa reforça que esses eventos servem para mostrar a produção local para quem vem de fora. “Nossos produtos vêm direto da roça: abóbora, massa de puba, tapioca, manteiga caseira, banana, tangerina e limão. O apoio que a Seagri nos dá é de suma importância, pois faz o transporte do produto e do pessoal para as feiras e eventos promovidos pela Prefeitura. Este fórum é fundamental para demonstrar o que temos não só para Marabá, mas para quem vem de fora. É a nossa propaganda”.
Além do impacto comercial, o evento supriu uma demanda histórica por debate técnico e jurídico no interior do estado, atraindo profissionais e estudantes de áreas ligadas às ciências agrárias e ambientais.
“É o meu segundo ano participando. É uma iniciativa de muita troca de conhecimento. Antes, Marabá não tinha esse incentivo aos pequenos produtores sobre a importância do cultivo, da coleta e da revenda aliada à sustentabilidade e renda familiar. Hoje vejo grande importância tanto para advogados agrários quanto para estudantes de Engenharia Florestal e Agronomia. Antes, tínhamos que sair de Marabá para participar desses congressos. O Ministério Público e a doutora Alexsandra estão de parabéns por esse trabalho contínuo”, elogia Jaira Silva, advogada agrária.
O IV Fórum Agrário da Sociobiodiversidade encerrou suas atividades consolidando propostas que nortearão as políticas públicas de desenvolvimento rural e preservação ambiental para a região nos próximos meses.
Texto: Fabiana Alves
Fotos: Paulo Sérgio Santos e Bill Waishington
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