
No Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado nesta sexta-feira (22), o governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), destaca iniciativas que unem conservação ambiental, geração de renda e desenvolvimento sustentável. Por meio de projetos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e de ações voltadas à economia circular, a gestão estadual vem estruturando políticas públicas que reconhecem quem protege os recursos naturais, incentivam práticas produtivas sustentáveis e ampliam o reaproveitamento de materiais em diferentes regiões do Estado.
Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, Raul Protázio, proteger a biodiversidade amazônica exige ações integradas, capazes de valorizar tanto quem conserva a floresta quanto quem ajuda a reduzir impactos ambientais nas cidades e nos territórios. “A biodiversidade é um dos maiores patrimônios do Pará e precisa ser protegida com políticas públicas concretas, que cheguem às pessoas e aos territórios. Quando incentivamos o produtor rural a recuperar áreas, conservar vegetação nativa e adotar sistemas produtivos sustentáveis, e quando fortalecemos cooperativas, catadores e a reciclagem, estamos mostrando que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos. O desafio é transformar a proteção ambiental em oportunidade, renda e qualidade de vida para a população”, afirma.
Uma das frentes estratégicas nesse processo é o projeto Valoriza Territórios Sustentáveis (Valoriza TS), piloto do Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). A iniciativa já contabiliza mais de 1.400 famílias em atendimento para pagamento e mais de 200 beneficiários, com investimento superior a R$ 1,37 milhão em serviços ambientais. O projeto incentiva ações em propriedades e posses rurais de nove municípios paraenses, fortalecendo a relação entre geração de renda, regularidade ambiental e preservação da biodiversidade.
Os benefícios do PSA já alcançam produtores de Marabá, Novo Repartimento, São Félix do Xingu, Tucumã, Tomé-Açu, Ourilândia do Norte, Canaã dos Carajás, Parauapebas e Água Azul do Norte. Até o final de junho, está previsto o repasse de aproximadamente R$ 992 mil para outras 107 famílias participantes do projeto. Voltado a agricultores familiares e produtores rurais, o Valoriza TS incentiva práticas como recuperação de Áreas de Preservação Permanente, conservação da vegetação nativa e adoção de boas práticas florestais, incluindo a implantação de sistemas agroflorestais. Dessa forma, o programa contribui para manter a floresta em pé, recuperar áreas degradadas e valorizar quem produz de forma alinhada à proteção dos recursos naturais.
Outro projeto piloto em andamento no âmbito do PSA é o Valoriza Territórios Coletivos, voltado a povos indígenas e comunidades tradicionais da região da Terra do Meio. A iniciativa busca reconhecer e valorizar práticas sustentáveis já desenvolvidas nos territórios, além de fortalecer cadeias da sociobiodiversidade e a governança comunitária. A proposta prevê formatos híbridos de apoio, com repasses financeiros, bens e serviços adaptados à realidade local, respeitando as dinâmicas dos territórios e ampliando o papel das comunidades tradicionais na conservação da biodiversidade amazônica. A previsão inicial é de que o primeiro repasse ocorra ainda no primeiro semestre deste ano.
Fortalecimento da economia circular
Além das iniciativas voltadas à conservação e ao uso sustentável dos territórios, o governo do Pará, por meio da Semas, também atua no fortalecimento da economia circular, uma agenda estratégica para reduzir impactos ambientais, ampliar a gestão adequada de resíduos e gerar inclusão produtiva no Estado. A partir do apoio às cooperativas, da entrega de equipamentos, do fortalecimento da logística reversa e da articulação com municípios, empresas e organizações sociais, a Secretaria vem estruturando uma política pública que transforma resíduos em matéria-prima, gera renda para catadores e contribui para a conservação dos recursos naturais.
Um dos exemplos é o trabalho desenvolvido na cadeia da reciclagem do vidro. Entre maio de 2024 e fevereiro de 2026, a Cooperativa ReciclAssu reciclou 249,06 toneladas do material, com economia estimada de 119.548,80 kWh de energia, redução de 132 toneladas de emissões de gases de efeito estufa e economia de 298,87 toneladas de matéria-prima. O resultado mostra como a reciclagem, quando estruturada como política pública, reduz a necessidade de novos insumos, diminui o consumo de energia na produção industrial, evita emissões e fortalece o trabalho das cooperativas.
A atuação também alcança territórios turísticos e urbanos, onde o aumento da geração de resíduos exige soluções permanentes de coleta, triagem, armazenamento e destinação correta. Na Área de Proteção Ambiental Algodoal-Maiandeua, em Maracanã, a Semas entregou trituradores de vidro e bombonas para apoiar a logística reversa nas vilas da ilha. Em Salvaterra, no Marajó, a Cooperativa Cata Salvaterra recebeu prensa hidráulica, triturador, empilhadeira, esteira separadora, carrinhos, tuk-tuk e equipamentos de proteção individual. Já em Belém, foram viabilizados 1.335 equipamentos, entre coletores e caçambas metálicas, para fortalecer a gestão de resíduos em espaços públicos.
Para Carol Magalhães, presidente do Instituto de Desenvolvimento Amazônia Sustentável, a economia circular mostra que a proteção ambiental pode caminhar junto com geração de renda e fortalecimento comunitário. “Quando o vidro deixa de ser tratado como lixo e passa a ser visto como matéria-prima, nós mudamos toda a lógica da cadeia. A economia circular mostra que é possível reduzir impactos ambientais, gerar renda e fortalecer comunidades ao mesmo tempo. O trabalho desenvolvido com as cooperativas mostra que, com apoio técnico, equipamentos adequados e articulação entre governo, setor privado e sociedade civil, a reciclagem deixa de ser uma ação isolada e passa a fazer parte de uma estratégia de desenvolvimento sustentável para a Amazônia”, afirma.
O secretário-adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, reforça que as ações desenvolvidas seguem uma diretriz comum: transformar a conservação da biodiversidade em política pública concreta, com resultados para quem vive no campo, nos territórios tradicionais, nas cidades e nas cadeias produtivas. Segundo o secretário, ao associar o Pagamento por Serviços Ambientais à economia circular, o Pará amplia o alcance das políticas ambientais e cria caminhos para reconhecer quem conserva, fortalecer quem trabalha com reciclagem e estimular o uso responsável dos recursos naturais. “Proteger a biodiversidade é também gerar renda, inclusão e qualidade de vida para a população”, destaca.
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