
Para celebrar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, comemorado em 18 de maio, a coordenação e o corpo clínico do Ambulatório Especializado em Saúde Mental (Ament) e da Ala Psicossocial do Hospital Municipal de Marabá (HMM) promoveram uma manhã cheia de atividades interativas, artísticas e reflexivas nesta segunda-feira, 25. O evento reuniu profissionais da saúde, assistência social e estudantes residentes para discutir o cuidado humanizado em liberdade.
O movimento da Luta Antimanicomial nasceu em 1987, durante o Encontro dos Trabalhadores de Saúde Mental em Bauru (SP), e propôs uma profunda reforma psiquiátrica no Brasil. O princípio base é a construção de “uma sociedade sem manicômios”, fortalecendo a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para que o paciente receba tratamento e reabilitação dentro do seu próprio território, combatendo estigmas.
De acordo com Rosilene Cavalcante, enfermeira e referência técnica do Ament e da Ala Psicossocial, o encontro buscou reforçar as diretrizes da Lei 10.216, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com sofrimento mental.


“Hoje nós estamos aqui para reforçar o que foi realizado dentro do movimento da luta antimanicomial psiquiátrica, entendendo que a loucura precisa ser acolhida. Ela precisa receber um cuidado humanizado dentro do território, sem excluir ou marginalizar esse indivíduo. Trabalhamos em uma terapêutica que ultrapassa a terapia medicamentosa. Nossos pacientes em internação vão às praças, sessões de cinema, museus e clubes, para que entendam que fazem parte do meio em que vivem”, explicou a enfermeira.
O psicólogo Sérgio Rocha, que também atua no Ament e na Ala Psicossocial, destacou que o evento trouxe dinâmicas e intervenções educativas para conscientizar a comunidade sobre preconceitos que ainda persistem na sociedade.


“Apesar dos muros físicos não existirem mais, os muros do pensamento ainda estão muito em evidência. O manicômio não está necessariamente em uma estrutura, ele se estabelece a partir das nossas práticas. É importante nos tornarmos vigilantes, especialmente no momento em que ainda temos olhares reducionistas e estigmatizadores. O evento visa a promoção da saúde mental e o entendimento desse indivíduo para além do seu transtorno, compreendendo que ele é complexo e pode explorar suas potencialidades de ser no mundo”, enfatizou Sérgio.
A articulação entre os serviços de saúde e a assistência social do município foi um dos temas da mesa de discussões. Gláucia Teles, psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Rio Tocantins, participou do debate abordando o papel da psicologia social no acompanhamento pós-internação.


“A luta antimanicomial é um processo que acontece todos os dias, seja pelos profissionais dentro dos serviços ou pela comunidade fora deles. Fui convidada para falar sobre como a psicologia social contribui para esse indivíduo que sai da internação e está imerso no território. Debatemos sobre as trocas dele com a família e a comunidade, e quais orientações são necessárias para que ele se emancipe e tenha sua autonomia”, pontuou Gláucia.
O olhar humanizado e multiprofissional também foi defendido por Edimar Júnior, acadêmico de psicologia e estagiário dos serviços de saúde mental do município. Ele relatou a rotina de atividades que integram diferentes áreas do conhecimento para o bem-estar dos usuários.
“A luta antimanicomial é uma tentativa de enxergar o paciente de maneira mais humanizada, quebrando as correntes e as grades do manicômio. A forma como procuramos ajudar os pacientes é com um olhar multiprofissional, observando a subjetividade do indivíduo. Escolhemos abordagens além do medicamento, valorizando a identidade de cada um como um ser humano ímpar”, concluiu o acadêmico.








Texto: Fabiana Alves
Fotos: Paulo Sérgio Santos
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