
Com foco na qualificação profissional e no fortalecimento das ações de reinserção social, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), por meio da Unidade de Reinserção de Regime Semiaberto de Altamira (URRS Altamira), iniciou, nesta segunda-feira (25), o curso de Informática Básica presencial na Usina da Paz de Altamira, voltado às Pessoas Privadas de Liberdade (PPLs) custodiadas na unidade.
A capacitação, promovida pela diretoria da URRS Altamira em parceria com a Usina da Paz, está sendo realizada nas dependências da instituição parceira e contempla 17 custodiados do regime semiaberto, selecionados a partir de bom comportamento e interesse no estudo.
Com carga horária de 60 horas e certificação validada pela Fundação ParáPaz, o curso aborda conhecimentos básicos de informática e utilização do Pacote Office, que reúne ferramentas essenciais para redigir textos, criar apresentações, gerenciar e-mails e organizar dados em planilhas, sendo fundamental para estudos e tarefas corporativas.
A iniciativa integra as estratégias da Seap voltadas à preparação gradual das Pessoas Privadas de Liberdade para o retorno ao convívio social, ampliando o acesso à educação, à qualificação profissional e às oportunidades futuras de inserção no mercado de trabalho.
O curso é realizado com autorização e acompanhamento dos Judiciário local, Coordenadoria de Educação Prisional (CEP) e Diretoria de Administração Penitenciária (DAP) da Seap, com adoção de todos os protocolos de segurança necessários por parte da equipe da unidade, garantindo a integridade dos custodiados, dos servidores e da população que circula no espaço da instituição parceira.
A diretora da Unidade de Reinserção de Regime Semiaberto de Altamira, Júlia Magalhães de Oliveira, ressaltou que o projeto foi estruturado para fortalecer o processo de reintegração social das PPLs por meio de experiências externas acompanhadas, compatíveis com a proposta do regime semiaberto.
“A Seap já costuma adotar essa prática de fazer parcerias com outros órgãos visando a reintegração dessas PPLs à sociedade. Como a nossa unidade é de regime semiaberto, nós providenciamos para que esse curso fosse presencial, para que os internos consigam ter essa reintegração à sociedade de forma gradual, inicialmente acompanhado, para que posteriormente, quando em oportunidade de trabalho ou estudo externo, eles possam ir sozinhos”, declarou.
Segundo a diretora, a escolha da informática como temática principal da capacitação foi pensada estrategicamente, considerando as exigências cada vez mais presentes no cotidiano social e profissional.
“O assunto do curso também foi estrategicamente providenciado no sentido de ser um curso que saia do comum. Hoje em dia é extremamente importante que essas PPLs, ao retornar à sociedade, consigam ter um mínimo manejo tecnológico para que eles possam ter mais oportunidades de trabalho e estudo. Então, essa foi a motivação para que eu buscasse essa parceria com a Usina da Paz, junto ao diretor Juliano Granato, que abriu as portas da Usina para a unidade, e essa é a primeira de muitas outras oportunidades”, concluiu.
Além da formação técnica, a ação também representa uma ferramenta de fortalecimento da autoestima, autonomia e construção de novos projetos de vida para os participantes. O acesso ao conhecimento tecnológico tem sido apontado como um dos fatores essenciais para ampliação das oportunidades educacionais e profissionais na sociedade contemporânea.
Participante do curso, o custodiado Geraldo Machado dos Santos destacou a relevância da oportunidade para sua trajetória pessoal e para a construção de novas perspectivas após o cumprimento da pena. “Para mim é um privilégio muito extraordinário passar por essa experiência na área do mundo digital onde tudo é muito importante. Como foi falado sobre a tecnologia, se não tivermos acesso à informática dificilmente conseguiríamos uma vaga de emprego no mercado”, explicou.
Além da capacitação em execução, Geraldo destacou outros avanços conquistados durante o período de custódia que a Secretaria proporcionou, como o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja PPL), e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem PPL). “Até aqui aprendi muitas coisas importantes, eu tive a oportunidade de fazer Encceja para concluir o Ensino Médio que ainda não tinha concluído, tive a oportunidade de fazer o Enem também, e agora esse curso muito importante para a minha vida”, pontuou.
Texto: Fernanda Ferreira/ Estagiaria NCS Seap, com supervisão de Caroline Rocha
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