
A Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) passa a ser o primeiro hemocentro da região Norte a disponibilizar a eritrocitaférese pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de pacientes com doença falciforme. A implantação da nova tecnologia no Ambulatório Hematológico da instituição representa um avanço na assistência especializada e amplia o acesso a terapias modernas para pessoas que convivem com a doença.
A eritrocitaférese é um procedimento realizado por meio de um equipamento automatizado de aférese, capaz de retirar parte das hemácias alteradas do paciente e substituí-las por hemácias saudáveis provenientes da doação de sangue. Na doença falciforme, essas células assumem formato semelhante ao de uma foice, tornando-se mais rígidas e dificultando a circulação sanguínea, o que pode provocar crises dolorosas, anemia, lesões em órgãos e outras complicações.
Tecnologia amplia a eficácia do tratamento
A implantação do serviço foi idealizada e coordenada pela enfermeira e gerente de Enfermagem do Ambulatório Hematológico, Gisele Maria Cardoso da Silva, e pela médica hemato-pediatra e coordenadora do Ambulatório Hematológico, Saide Maria Sarmento Trindade, com apoio da gestão institucional.
Com a nova tecnologia, o tratamento passa a oferecer maior precisão no controle da hemoglobina S, principal marcador relacionado à doença falciforme. Entre os benefícios esperados, estão a redução de complicações clínicas, a melhora da oxigenação dos tecidos, a menor sobrecarga de ferro em comparação às transfusões convencionais e maior segurança para pacientes que necessitam de terapia transfusional crônica.
Para a coordenadora do Ambulatório Hematológico do Hemopa e médica hematologista, Saide Maria Sarmento Trindade, a implantação da eritrocitaférese representa uma mudança significativa na trajetória dos pacientes. “É muito importante o Hemopa ser pioneiro na implantação da eritrocitaférese na região Norte, porque esse é um dos tratamentos mais avançados disponíveis para a doença falciforme, inclusive como estratégia até a realização do transplante de medula óssea. Com esse procedimento, os pacientes passam a ter mais qualidade de vida, menos dor e menor risco de complicações graves, como o acidente vascular cerebral. A eritrocitaférese muda a história dessas pessoas”, destacou.
Segundo a especialista, o procedimento também reduz o processo inflamatório provocado pela doença ao substituir parte das hemácias alteradas por células saudáveis. “A doença falciforme é uma condição inflamatória sistêmica. Na eritrocitaférese, retiramos uma proporção adequada das células defeituosas e devolvemos hemácias saudáveis e oxigenadas. Isso permite que crianças e adultos tenham uma vida mais próxima do normal, com mais segurança e bem-estar”, explicou.
Avanço fortalece a assistência pelo SUS
O presidente da Fundação Hemopa, Paulo Bezerra, ressaltou que a implantação do serviço reforça o compromisso do Governo do Pará com a ampliação do acesso a tratamentos especializados pelo SUS. “Oferecer a eritrocitaférese pela primeira vez na região Norte representa um avanço histórico para o Hemopa e para a saúde pública do Pará. Estamos ampliando o acesso a um tratamento moderno, seguro e mais eficaz para pacientes com doença falciforme, reforçando o compromisso do governo do Estado com a inovação, a qualificação da assistência e a valorização da vida dos paraenses”, afirmou.
Considerada uma das doenças genéticas hereditárias mais frequentes no País, a doença falciforme afeta entre 60 mil e 100 mil brasileiros, segundo estimativas do Ministério da Saúde. Entre 2014 e 2020, o país registrou uma média anual de 1.087 novos casos diagnosticados por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do acesso a tratamentos especializados.
A eritrocitaférese será ofertada gratuitamente pelo SUS aos pacientes acompanhados pelo Ambulatório Hematológico da Fundação Hemopa. A indicação para o procedimento será realizada pela equipe médica, com base em critérios clínicos e nas necessidades individuais de cada paciente.
Doação de sangue é essencial para o tratamento
Além de ampliar o acesso a uma tecnologia já utilizada em centros especializados do País, a iniciativa reforça o papel estratégico do Hemopa na assistência hematológica, hemoterápica, laboratorial e multiprofissional ofertada pelo SUS.
Para a população, o avanço também evidencia a importância da doação regular de sangue. As hemácias utilizadas no procedimento são provenientes de doadores voluntários, tornando a participação da sociedade fundamental para garantir a continuidade do tratamento de pacientes com doença falciforme.
Com a implantação da eritrocitaférese, a Fundação Hemopa fortalece sua atuação como referência no cuidado às pessoas com doença falciforme e amplia o acesso a terapias especializadas na região Norte do País.
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