
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) sediou, de terça-feira (5) até quinta-feira (7), o curso de Análise e Auditoria de Planos de Manejo Florestal Sustentável da Amazônia, realizado na Sala Cacau, no Centro de Treinamento da unidade Semas Bosque, em Belém.
A capacitação foi construída em parceria entre a Semas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), por meio do projeto CRIMFLO – Fortalecimento da Resposta do Sistema de Justiça Criminal aos Crimes Florestais.
O treinamento tem como foco o aprimoramento técnico de equipes que atuam na análise, monitoramento e auditoria de planos de manejo florestal sustentável, especialmente na Amazônia. A iniciativa busca fortalecer o uso de metodologias, sistemas e ferramentas digitais capazes de identificar a regularidade das atividades florestais e eventuais indícios de irregularidades.
Para o secretário-adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, o treinamento reforça o papel do Pará na construção de uma governança florestal cada vez mais integrada, técnica e transparente.
“Receber esse treinamento na Semas é uma oportunidade importante para fortalecer a atuação dos órgãos ambientais na Amazônia. O manejo florestal sustentável é uma atividade essencial para conciliar produção, conservação e desenvolvimento regional, mas precisa estar amparado por controle, monitoramento e segurança técnica. Essa troca, com o Ibama, o UNODC e os demais estados amazônicos, qualifica os procedimentos e amplia a capacidade de resposta dos órgãos ambientais diante de possíveis irregularidades”, destacou Rodolpho Zahluth Bastos.
O Sinaflor, Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais, é a plataforma digital do Ibama utilizada para monitorar e controlar atividades como supressão de vegetação, exploração e transporte de produtos florestais, incluindo madeira e carvão. O sistema integra dados de imóveis rurais, autorizações ambientais e informações sobre a origem dos produtos, contribuindo para garantir a legalidade das atividades florestais no país.
De acordo com o coordenador-geral de Gestão e Monitoramento do Uso da Flora do Ibama, Allan Valezi Jordani, a capacitação busca compartilhar metodologias e ferramentas utilizadas pelo órgão federal para análise e auditoria de planos de manejo na Amazônia, a partir dos dados disponíveis nos sistemas de controle.
“A ideia é compartilhar a metodologia e as ferramentas que o Ibama utiliza para o monitoramento e a auditoria de planos de manejo florestal na Amazônia. A partir dos dados dos sistemas de controle, é possível compreender melhor as informações da floresta, avaliar a regularidade de um plano de manejo e identificar eventuais indícios de irregularidades, que podem levar até à suspensão do plano”, explicou Allan Valezi Jordani.
O curso também reúne representantes de órgãos ambientais dos Estados da Amazônia, criando um espaço de troca de experiências e de integração entre equipes estaduais e federais. A proposta é que o treinamento não seja apenas uma apresentação de ferramentas, mas um processo de construção conjunta, considerando a realidade e a experiência de cada órgão ambiental.
“Queremos ouvir também os estados da Amazônia. Esse curso conta com representantes dos órgãos ambientais que fazem a gestão florestal na região, e essa troca é fundamental. O que puder ser aprimorado nas ferramentas e metodologias, a partir das experiências estaduais, será importante para criar uma rede de compartilhamento técnico, com resultados concretos para o monitoramento e para a sustentabilidade do manejo florestal”, complementou o coordenador do Ibama.
A parceria com o UNODC, por meio do projeto CRIMFLO, amplia a dimensão estratégica da capacitação ao conectar a gestão ambiental ao enfrentamento dos crimes florestais. A iniciativa contribui para o fortalecimento da resposta institucional, com foco na qualificação técnica, na integração de informações e na melhoria dos fluxos de atuação entre órgãos ambientais e demais instituições envolvidas no combate às ilegalidades.
Para Nathália Alves, coordenadora do projeto CRIMFLO, do UNODC, o curso fortalece toda a cadeia da produção madeireira, ao ampliar a governança, a transparência e a confiabilidade dos dados utilizados no controle da origem dos produtos florestais. Segundo ela, o intercâmbio entre instituições federais, estaduais, setor privado e sociedade civil é essencial para garantir que a exploração florestal autorizada gere benefícios locais e contribua para um modelo de desenvolvimento sustentável.
“Esse curso visa fortalecer a governança e a confiabilidade dos dados sobre a produção madeireira. Como os estados são os grandes responsáveis pela autorização dos planos de manejo e de outras formas de exploração, esse intercâmbio é fundamental para garantir que a atividade florestal gere benefícios, desenvolvimento local e segurança sobre a origem da madeira”, afirmou Nathália Alves.
A coordenadora destacou ainda que o fortalecimento dos sistemas de controle contribui para que a madeira brasileira chegue ao mercado nacional e internacional com maior segurança sobre sua origem, assegurando que a exploração ocorra de forma responsável, com conservação da biodiversidade e retorno positivo às comunidades envolvidas.
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